MUNDO DIGITAL, com Ethevaldo Siqueira
Sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Heródoto – Ethevaldo, você acha que as universidades estão evoluindo com a mesma velocidade da ciência e da tecnologia no mundo?
Ethevaldo – Infelizmente, não, Heródoto. A maioria das universidades deixou de ser a vanguarda da sociedade para se transformar em instituições obsoletas. Mas há um esforço de renovação e de reconstrução da universidade em alguns centros de excelência. Aliás, isso já ocorre em dezenas de universidades.
Heródoto – Em que consiste essa renovação? Dê um exemplo concreto.
Ethevaldo – Acabo de visitar a Universidade de Berkeley, na Califórnia, Heródoto. É outro mundo. Mesmo já sendo um centro de excelência de reputação mundial, ela passa agora por um processo de transformação impressionante, ampliando e aprofundando o que podemos chamar de interdisciplinaridade. Aliás, quando nasceu no século 14, a universidade tinha esse caráter universal, enciclopédico, de reunião de todo o conhecimento num único lugar ou ambiente.
Heródoto – Mas, em termos práticos, como é isso?
Ethevaldo – O brasileiro Jean Paul Jacob, cientista emérito e professor, diz que em seu laboratório, na Universidade de Berkeley, trabalham hoje, lado a lado, mais de uma centena de cientistas das mais diversas formações: engenheiros, físicos, sociólogos, economistas, psicólogos, filósofos, artistas e muitos outros.
Heródoto – Qual é a grande vantagem dessa convivência de cientistas e profissionais de especialidades tão diversas?
Ethevaldo – É abrir a cabeça de todos, ampliar os seus horizontes culturais, mostrar-lhes a importância de problemas e questões essenciais de áreas vizinhas, dos problemas sociais, econômicos, culturais e artísticos – juntamente com as especialidades cada vez mais profundas e estreitas nas ciências exatas ou biológicas.
Heródoto – Até segunda.