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Ethevaldo Siqueira | Colunas do Estadão | A importância da TI

Colunas do Estadão 

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A importância da TI

15 de novembro de 2009

por Ethevaldo Siqueira

Como conceituar Tecnologia da Informação (TI)? No sentido mais amplo em que a expressão é usada atualmente, a TI abrange tanto os computadores quanto as telecomunicações, hardware e software, e todos os demais dispositivos e equipamentos utilizados para armazenar, processar e transportar informação sob a forma digital.

É nesse sentido amplo que a TI deslumbra executivos e empresários há quase duas décadas, segundo a crítica de Nicholas Carr, em seu livro Será que TI é Tudo? (tradução brasileira da Editora Gente, São Paulo, 208 páginas, R$ 59,90), que estará nas livrarias na próxima quinta-feira (19/11) e que recomendo entusiasticamente a todo executivo brasileiro.

O autor lembra que, a cada ano, em todo o mundo, as empresas gastam mais de US$ 2 trilhões em tecnologia da informação (TI). Diante dessa realidade, ele faz duas perguntas aos empresários: vale a pena gastar tanto em TI? Será que as corporações estão realmente aplicando da melhor forma seus recursos, em busca de vantagens competitivas e sucesso estratégico?

O livro nasceu de um artigo intrigante publicado em 2003 na Harvard Business Review, em que Carr advertia para o enorme risco representado pelo excesso de gastos em TI, que acaba pondo qualquer empresa em desvantagem quanto aos custos. A edição em inglês do livro não apenas virou best-seller, mas levou a comunidade empresarial mundial a discutir com muito mais profundidade o verdadeiro papel dos computadores e da TI nos negócios.

Nicholas Carr falará em São Paulo sobre o futuro da TI, no evento Expomanagement 2009, da HSM, no dia 1º de dezembro. Polêmico e arguto, ele é um dos mais respeitados analistas do papel da tecnologia da informação (TI), em geral, e da internet, em especial, na sociedade moderna. Além de ter escrito mais de uma dúzia de artigos para a Harvard Business Review, Carr tem colaborado regularmente com publicações como o Financial Times, o New York Times, a Strategy & Business, The Guardian, a MIT Sloan Management Review, a Wired e a Business 2.0, a CNBC, a CNN e outras redes de televisão.

TI É COMMODITY
É claro que ele não defende a volta ao uso do ábaco nem de máquinas de escritório manuais ou eletromecânicas. O que ele faz, no entanto, é mostrar, do primeiro ao último capítulo, os equívocos mais comuns na avaliação do papel estratégico da informatização nas empresas.

Eis uma das muitas perguntas que ele faz ao executivo e ao empresário: “Para bater seus competidores, sua empresa estaria gastando mais de 50% de seus investimentos de capital (capex) em TI? Se isso estiver ocorrendo, você não estará sozinho, porque as empresas em todo o mundo estão queimando trilhões de dólares nessa área. Mas, é bom lembrar que, como ocorreu com muitas outras tecnologias largamente adotadas – como ferrovias ou energia elétrica –, a TI se transformou em commodity. Com seus preços acessíveis a cada um, essa tecnologia não tem mais valor estratégico para qualquer empresa ou usuário”.

A escassez – e não a plena disponibilidade – é que torna um recurso de negócio verdadeiramente estratégico. Companhias ganham vantagem quando têm ou fazem algo que outros não têm ou não fazem. Nos primórdios do processo de informatização das empresas, os líderes trombeteavam o uso efetivo de inovações em TI, como, por exemplo, o sistema de triagem da Federal Express ou o sistema de reservas Sabre, da American Airlines. Tudo isso, no entanto, é coisa antiga.

Hoje, quando todo mundo está informatizado, devemos focalizar nossa atenção muito mais nos riscos do que nas vantagens estratégicas das empresas. Do mesmo modo que nenhuma empresa pensa em construir sua estratégia sobre o uso da energia elétrica – embora mesmo um pequeno lapso no suprimento possa ser devastador. Hoje, como no caso da energia elétrica, uma interrupção nos recursos de TI pode levar igualmente uma empresa a paralisar sua produção, interromper a entrega de produtos e afetar seriamente o grau satisfação de seus clientes.

Mas, o grande problema, adverte Carr, é que “muitas empresas investem em TI no escuro”, isto é, sem uma clara compreensão conceitual de seu impacto estratégico e financeiro. O grande desvio cometido pelas corporações é concentrar seus investimentos muito mais infraestrutura tecnológica do que em outras estratégias tão ou mais importantes, como o aprimoramento de seus recursos humanos.

A advertência mais clara do autor está neste trecho do capítulo 6: “Hoje, a chave para o sucesso para a maioria das empresas não consiste mais em buscar agressivamente vantagens (competitivas), mas em administrar custos e riscos meticulosamente. Com o estouro da bolha da internet, muitos executivos passaram a adotar uma posição mais conservadora em relação à TI, gastando de modo mais frugal e pensando de forma mais pragmática. Esses executivos estão no caminho certo”.

Eu daria o seguinte conselho aos que vão ler este livro de Nicholas Carr: reflitam profundamente sobre as limitações da tecnologia e não reajam de forma puramente emocional, favorável ou contrária, à tese central da obra.

O autor não nega, evidentemente, a importância do uso da TI em ambiente residencial ou sua incorporação aos produtos de eletrônica de entretenimento, que a cada dia nos oferecem novas áreas em fase de iminente maturação à medida que o computador, a mídia e os eletrônicos domésticos convergem. E reconhece a extraordinária importância dessa tecnologia para os mercados emergentes, que, em geral, dispõem nessa área de uma infraestrutura muito menos avançada.

Em sua mensagem central está a crítica ao desvio tão frequente cometido pelas corporações, ao concentrarem seus investimentos muito mais infraestrutura tecnológica do que em outras estratégias tão ou mais importantes, como o aprimoramento de seus recursos humanos, quase sempre carentes de treinamento e atualização de conhecimentos.

O que Nicholas Carr faz, de forma convincente, é advertir-nos sobre os equívocos mais comuns na avaliação do papel estratégico da informatização nas empresas, contrapondo suas observações sobre o que devem ser os investimentos e sobre o uso adequado da tecnologia, sempre associada a um conjunto de requisitos que assegurem o sucesso de todo empreendimento econômico.


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